Arquivo da categoria: ASTROLOGIA

A Linguagem Astrológica e a Barreira Cerebral.

Não importa o quanto antiga é, a astrologia se mantém como um fenômeno cultural contemporâneo. Mesmo quando a grande maioria das pessoas oferece críticas, deboche, desconfiança e a mera curiosidade sobre o horóscopo de cada dia em sites, a astrologia está em cartaz. Talvez seja a busca consciente ou inconsciente sobre quem ou o que somos que não permite o simples descarte desse conhecimento.

O estudo astrológico nada tem de divinatório e tampouco de sobrenatural. Na verdade, a astrologia é antropológica e matemática.  Trata da combinação de símbolos possuidores de extensa trajetória de observação do homem que ainda hoje recebe novas reflexões e gera resultados. Por meio do longo rastro dos registros que deixa há valiosa contribuição para integrar a personalidade e nutrir o gênero humano com a individuação, algo  que o torna “divíduo” e não “indivíduo”.  

Entre a linguagem astrológica e o outro está a figura do Astrólogo, aquele que deve não só interpretar a combinação precisa dos sinais contidos na Roda Zodiacal, como deverá em seguida encontrar a melhor forma de comunicação. O cérebro por ser um órgão dado à autopreservação pode fazer da comunicação algo perturbador, independentemente da linguagem utilizada.

A ciência identificou diversas camadas que o cérebro utiliza para sabotar um avanço sobre a consciência por onde qualquer verdadeiro instrumento de autoconhecimento age, e cita três como as principais:  

 – ATALHOS: o cérebro possui meios fáceis para lidar com sobrecarga de informações ou com a falta de tempo para depurá-las: aceita-se o consenso do grupo ou se confia cegamente em um especialista.

– VIÉS DE CONFIRMAÇÃO: mesmo diante de um bom tempo e estímulo para ir além de atalhos, o cérebro tem a tendência natural de prestar atenção a algumas descobertas em detrimento de outras. Isso favorece a reinterpretar evidências para que se encaixem em crenças preexistentes.

– OBJETIVOS SOCIAIS: outra poderosa camada – a motivação social. Esta pode facilmente driblar a interpretação oferecida, ainda que haja plena consonância. O desejo de ganhar status, adequar-se a um determinado nicho social ou até atrair um parceiro são questões que transportam com facilidade o entendimento para fora do contexto apresentado.

Rompendo as Camadas

Utilizar o maior número possível de instrumentos linguísticos na comunicação, transferir a responsabilidade por meio do conceito de “cocriador” e aniquilar o senso comum, são itens que devem fazer parte do roteiro do Astrólogo, acredito.

Por meio da desconstrução cuidadosa, sem prejuízo a firmeza na condução dos conteúdos, outras ferramentas e conhecimentos são necessários para esse fim, como por exemplo, os toques mais autênticos humanos:  empatia e compaixão.

A ideia sempre em mente é a de prover o mergulho e não gerir um afogamento.