Inteligência Emocional e o “Efeito Lúcifer”.

Ter “Poder” acessa nosso lado mais diabólico. Atente-se!

- Inteligência Emocional e o “Efeito Lúcifer”.

Inteligência emocional é um tema que está na moda no meio acadêmico. Trata da articulação de três esferas cerebrais e por meio de um sistema glandular bastante refinado, onde o Yoga age em mantê-lo equilibrado.

São elas:

 

Esferas Cerebrais:

 

1 – Réptil: sobrevivência, reprodução, dominação (poder), defesa, proteção

2 – Mamífero: límbico (recompensa/punição); emocional, medo, sensações

3 – Córtex: funcional, analítico, lógico

A qualidade orgânica – e animal – no homem é a composição desse aparato cerebral que se forma de dentro para fora, como uma cebola. Na parte interna está a estrutura réptil-mamífero que garante nossa sobrevivência, perpetuação e luta. Na parte de fora, feito a casca da cebola, encontramos a manifestação humana avançada em comparação aos quadrúpedes mamíferos. É o “Córtex Cerebral” ou “Neocórtex”, área por onde efetivamente pensamos, elaboramos valores, discernimos, movimentamo-nos e tomamos decisões; garante o processo evolutivo da vida humana. Tais áreas não estão separadas uma das outras.

Ao verificar in loco como pessoas boas são capazes de cometer atos cruéis ao auferirem poder, cedendo até mesmo à diabólicas tentações, o psicólogo Philip Zimbardo chamou isso de “Efeito Lúcifer: maldade é uma questão de poder”. Ainda segundo ele, desumanização do outro, de si próprio, obediência cega, são itens que fazem desabrochar nosso lado mais primitivo. De fato, essas qualificações pertencem a porção cerebral mamífera que, sob pressão, aciona o medo inerente e ativa, naturalmente, a autodefesa abrupta.

A filosofia do Yoga explica essa questão a partir do campo sutil que trata. Cérebro é mente e as esferas, atributos, que são: ego, processamento e intelecto, com relação a sequência respectiva das cerebrais. Considera que, quando ao homem se aufere poder e o mesmo não possuiu um intelecto bem desenvolvido, responderá facilmente por meio da combinação “réptil/ego” quando colocado sob pressão. Diz que intelecto bom não reside unicamente na facção lógica e informativa que compõe o córtex, pois isso quem melhor trata é o atributo de “processamento” (e memória) que está relacionado ao aspecto mamífero cerebral. A facção analítica é relevante, mas se torna menos pragmática e bem mais reflexiva. Já a facção cerebral “funcional”, garante o autocontrole pela auto-observação. Intelecto nutrido é aquele que remedia, medita, reflete, faz-nos funcionar da melhor forma, sem necessariamente precisar agradar a todos; não retira a agressividade animal, porém não a extrapola pela violência. Treinamos o intelecto por meio de técnicas que incluem o autoconhecimento, integrando o analítico, racional e motor cerebrais. Assim, numa situação de pressão e estresse, a corda que salva não é confundida com a “cobra que mata”. O atributo intelectual por meio do córtex cerebral permite que se diminua a reatividade emocional mamífero-réptil, elevando-se a inteligência sobre esse ambiente orgânico e tão visceral. Os conflitos tornam-se referências éticas e colaboram para o nosso amadurecimento enquanto seres sociáveis.

Quando existe enorme tensão no trabalho, maior é a necessidade de cuidado com o aspecto intelectual dos colaboradores; não basta premiações com coisas, viagens e cursos que agem somente pelo mamífero “recompensa/punição” (sistema límbico). Falo de aplicações de técnicas que lidam diretamente com as emoções pessoais e produzem reavaliação de valores. Escala de valores é intelectual e define o que somos, como somos e o que desejamos. O indivíduo com poder e frágil emocionalmente, certamente irá se auto-afirmar não pelo intelecto, mas sim, por meio da sua conduta mamífero (medo) e réptil (ataque).

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