Signo Escorpião

Escorpião em Cena.

Não seria de se espantar que astrólogos e demais ocultistas, estejam rodeados pelo signo de Escorpião. Eu estou! Há profissionais do ramo da astrologia cármica que dizem que leoninos (esse é o meu caso) os atraem mais, pois foram da mesma família em outras vidas. Quando se tornam mais íntimos, foram irmãos, inclusive. Por tudo que representa o arquétipo Escorpião, faz total sentido que provoque a retirada de centros egoicos onde leoninos residem naturalmente. Escorpião é o buscador do valor essencial da vida, mas, enquanto busca, sobrepõe a autoafirmação como refúgio, enquanto permanece prisioneiro de uma mente materialista.

Escorpião compõe um eixo contrário/complementar com o signo de Touro, este sim, detentor do materialismo. Ambos representam as casas astrológicas 2 e 8, respectivamente, onde o enfoque são os valores que regem o tangível da vida. No caso Escorpião que deseja o essencial, usará de todo o seu poder regenerador, até encontra-lo. Trata-se de um estímulo forte o suficiente que não se pode negar. Não é incomum seu corpo receber tamanho impacto e obrigar à profundas reflexões. Trata-se de uma vida baseada em processos de transformação, pois para que o essencial seja conhecido, só a morte simbólica das coisas proporciona o renascimento. Transformar é obter uma nova forma que pode ser a de agir, falar, efetivamente algo contrário ao seu eixo Touro de predominância fixa, conservadora e estável. Ainda que a condição social seja por onde Escorpião realmente acontece, nunca, ninguém comum, conhecerá de verdade um indivíduo desse signo, pois ele próprio se espreita, enquanto não reconhece em si mesmo o essencial. Relacionamentos é onde exprime sua intensidade emocional; se nega o convívio, traumatiza-se, pune-se, permanece numa zona de violência consigo próprio. É que a necessidade social Escorpião traz a autoafirmação que gera consequências. Tais consequências norteiam seus valores e deverão provocar as transformações que se propõe esse sinal astrológico.  No social estamos expostos e sujeitos a todo tipo de conflito, que é uma maneira real de crescer e aprender. Assim, a autoafirmação é ao mesmo tempo a maior fraqueza de Escorpião, pois, como dizem os filósofos gregos: “Personalidades fortes demonstram essência fraca, tal qual um cavalo sem o cavaleiro”. Mas quem ousar cutucar suas identificáveis fraquezas de um ego exacerbado, precisa considerar que um ferrão estará apontado em sua direção.

Conviver com Escorpião exige paciência, coisa raríssima nos dias de hoje. Mas quem se aventura, recebe em troca uma ótima oportunidade de também se descobrir. Como Senhor da Transformação, sua passagem em nossas vidas nos torna melhores. Ao oferecermos um convívio amoroso, estaremos sendo justos por tudo que representa no mundo e pelo esforço no autodesenvolvimento, onde o conhecimento esotérico é seu carro-chefe e também nos inspira na busca. É através dos segredos que constituem a vida, que tenta descobrir a fórmula certa, a forma perfeita, a melhor atitude que nutrirá sua essência profunda e carente. Entra aí sua sede por orgasmo ou Samadhi, este ainda mais profundo, pois não exige par. Quando descobre que o próprio processo da busca já é a principal nutrição, a necessidade da autoafirmação se vai e o bom voo da águia acontece; controla os instintos e a supraconsciência exala.

Por mais que a busca espiritual encarada por Escorpião seja uma virtude poderosa, os processos metamórficos e agudos porque passa podem ser dolorosos. Por isso mesmo, todo conhecimento esotérico e científico que acumula no decorrer da vida, fontes de poder, serão instrumentos que utilizará para projeção pessoal, numa tentativa de equacionar o apetite essencial através do material. Com a mente ainda materialista, inspirada por uma cultura medíocre em termos de coletividade, a capacidade de compreensão dos assuntos que expandem a consciência leva tempo para desconstruir velhos valores. Durante, o buscador Escorpião pode sim penetrar fácil no devaneio do poder e expurgar suas trevas por puro processo alquímico. Como a Hidra de Lerne da mitologia grega, corpo de dragão com três cabeças de serpente que, se cortadas, regeneram-se duplamente, de súbito Escorpião traz à tona um viés das profundezas que pode ferir a todos em volta, mas principalmente, a si mesmo. As dores que costuma sentir e que mudam de lugar constantemente, são as cabeças de Hidra que desejam exposição para receberem luz, a busca da verdade primordial.      

Doce como a água dos rios, seu elemento natural; amargo e vingativo como o veneno da serpente, o signo de Escorpião chama atenção pelos contrastes intensos em sua manifestação. Todos os signos possuem dualidades, já que a vida é composta sobre contrastes; por eles, reconhecemos as diferenças. Mas nos Escorpiões, isso soa diferente, quase assustador. J. Campbell traz um ótimo pensamento que nos ajuda a entender o arquétipo Escorpião:  “O melhor antídoto da morte é o renascimento”.
Renascer é o tom sagrada da vida Escorpião e nós, meros mortais, temos muita dificuldade com a transitoriedade das coisas.   

Escorpião traz o desafio de aprendermos por ele que não existe a melhor forma. A vida é multifacetada e nos faz algo novo a todo instante. Resistir a isso é viver em morte e não em regenerações. Estamos conectados por um único fio que tece a vida e que oferece o processo da continuidade, jamais a estagnação. Manter-se nesse nível de consciência profunda o suficiente, permite que sejamos tudo e ao mesmo tempo nada. Dessa forma multifacetada, o ser já contém tudo de que precisa para se tornar, falta apenas descobrir, algo que o signo de Escorpião em muito colabora.  

Onde se encontra no mapa natal, esse modelo Escorpião vive e está repleto de percepção aguçadíssima, como também, de boas doses de prepotência que resultam nas mais diversas transformações que assistimos sobre esse sinal. Chega até mesmo a quase morte várias vezes, para o prazeroso renascimento das cinzas. É o bravo poder de ser Escorpião!

“Tudo está em mudança; nada morre. O espírito vagueia, ora está aqui, ora ali, pois o que existiu já não é, e o que não existiu começa a ser; e assim, todo ciclo de movimento se reinicia” (Ovídio, Metamorfoses).  

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