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Isolamento social com atenção plena

O Estresse do Isolamento Social Reforça a Necessidade da
Atenção Plena.

Objetivamente, precisamos encarar o fato de que o isolamento social se torna um grande desafio entre nós; tende a inaugurar uma nova consciência de massa frente a uma Nova Era que promete, ironicamente, a União. Há muitos indícios disso e a pandemia chega a tirar o ar, literalmente. Como precisamos ampliar em muito o convívio harmonioso com todas as diferenças mundo a fora, um vírus mortal nos motiva e traz para dentro de casa a amostra de quão grande está o desafio.

O estresse da coexistência pelo isolamento é inevitável, porque os motivos que o gera até podem parecer outros, mas, na verdade, são os mesmos: ego centrado e emoções infantis, com o agravante de que, agora, a indústria de entretenimento e afins estão fechadas. As farmácias e supermercados dão uma salvaguarda, também a internet, as “lives”, as redes sociais, as bibliotecas e namoros virtuais. A casa está limpa como nunca se viu e os armários arrumados e reajustados. Há o que fazer, mas parece que nada satisfaz efetivamente.   

Ou seja, o estresse do isolamento gera colapso também sobre os prazeres da vida que são, paradoxalmente, promotores de estresse pela sua própria natureza de insatisfação: um desejo satisfeito resulta em um novo instantaneamente. Sem satisfação, para onde vai toda essa energia produzida pelo estresse?

Individualmente, faz comer mais, favorecendo ou o sal, caso a racionalidade seja o perfil, ou o açúcar, quando as carências emocionais estão à flor da pele. Externamente, recai junto a todas as pessoas presentes que se encontram em situação semelhante.

Trata-se de um importante exercício em compreender que cada um de nós é o outro, apenas em proporções e tempos diferentes. Temos a oportunidade de observar determinadas demandas pessoais como um aspecto positivo da experiência no convívio “forçado”. Podemos usar da atenção plena e aplicar boa parte da energia excessiva do estresse sobre nós mesmos e de forma positiva, ou seja, transformando-nos ao invés de nos tornarmos obesos ou chatos.

O Isolamento

Os dias iniciais lembram muito a pausa das férias em família com “home office”, inclusive. Essa é a fase em que os estímulos internos habituais ainda acionam nível alto no sangue do estresse corriqueiro. Embora tudo em volta esteja anormal, no fundo do ser muitos ainda negam, fantasiam, superestimam a si mesmos, brincam.

Segue-se a robotização, apenas numa atmosfera diferente.

Uma segunda fase é quando o estresse viciado perdeu a força; a ficha caiu e realmente estamos sob ordem moral e ética do isolamento. Surge aquele desânimo, tristeza, espécie de vazio, de falta do que fazer.  

Essa baixa, no entanto, é enganosa. Igualmente ao dependente químico, traz aos poucos pensamentos de pré-ocupação.

Entra a terceira fase e a agitação da mente é retomada. O corpo exige ir e vir, precisa se movimentar, ter mais espaço; a forte energia por atividade suplica a tal liberdade. Passado e futuro passam a reger o fluxo dos pensamentos. Preocupações antigas e criação de tantas novas viram dramaturgias, pois, imediatamente, todas são conectadas ao banco da memória emocional. Então, o organismo em totalidade responde à agitação. Surgem ou intensificam insônias, ansiedade explode, medo cresce, solidão se aprofunda, raiva jorra por meio de julgamentos e excessivas críticas: queremos um culpado da nossa própria desgraça.

Hora da Atenção Plena

Atenção Plena ou “mindfulness” é uma técnica milenar de origem budista que nos permite treinar o estado presente e a maravilha de simplesmente desligar a ruminação mental. Não é milagre. Atenção Plena é um treinamento que desenvolve a consciência; torna-a capaz de enxergar as reações automáticas e, assim, ajustá-las para que novas ações melhoradas ou mais apropriadas explorem a um bom convívio coletivo.

Atenção Plena chegou no Ocidente na década de 70 e se tornou um movimento mundial. Hoje nos EUA virou protocolo político-social em escolas e presídios. Por conter aspectos filosóficos embutidos que derrubariam o sistema disfuncional existente, verdadeiramente poderia ser uma técnica revolucionária. Mas, por aqui escolhemos ficar somente com um básico treinamento de concentração, o que torna possível realiza-lo no cotidiano de nossas vidas, usufruindo dos resultados nesse nível.  

Para treinar o estado presente, manter a mente mais concentrada e reverdecer a memória de curto prazo, inicie atenção sobre romper hábitos danosos e criar novos saudáveis. Isso não ocorre de imediato porque se age sobre a mente que é sutil e volátil, diferente do cérebro que é físico e determinado, como um músculo.

Exercite:    

– Beber mais água para urinar mais: provocar a dupla de rins ajuda emocionalmente a aliviar o sentimento de solidão.

– Comer mais fibras para gerar saciação prolongada: barriga cheia age como calmante porque há muito o que digerir, usando de analogia para refletir, pensar a respeito, imaginar possibilidades. A produção de mais bolo fecal e sua posterior eliminação facilitada pelas fibras, libera maior dose de serotonina, hormônio de prazer, o que ajuda a bons pensamentos.

– Mastigar devagar e levar atenção sobre a movimentação da língua enquanto tritura os alimentos dentro da boca. Aprofunde a percepção dos diversos sabores. Evite conversas longas e problemáticas durante a alimentação. Só coma quando realmente sentir fome, evitando sobrecarregar o sistema digestivo que afeta negativa e indiretamente o sistema imunológico, além de outras compensações negativas junto a demais órgãos.  

– Tocar o próprio corpo ainda molhado, logo após o banho. Use de tapinhas por todo ele, da ponta da cabeça ao dedão do pé, curtas e rápidas, repetidas vezes. Essa ação provoca a bioeletricidade química, liberando oxitocina que força a diminuição dos hormônios do estresse.

– Respirar profunda e lentamente, várias vezes ao dia, com duração mínima de 3´30¨. Mas deve inspirar ao mesmo tempo em que infla a barriga. Deve também gastar mais tempo exalando do que inalando. É excelente para fumantes e idosos, já que amplia a capacidade pulmonar e, emocionalmente, aumenta a interação entre os meios externo e interno. Acalma por atuar no sistema nervoso parassimpático e sobre o instinto de sociabilidade, aliviando-o. 

– Levar sua atenção aos pés; descobrir que usa sempre da mesma forma ao descansá-los quando sentado numa cadeira durante o almoço, por exemplo. Mude imediatamente a posição deles, das pernas, e continue prestando atenção a cada situação semelhante, a fim de alterar o que se encontra automatizado. Isso cria novas sinapses.  

Essas são algumas pequenas amostras da facilidade com que podemos treinar a Atenção Plena. A partir delas torna-se possível entender o processo e acionar diversas outras: quando escova os dentes, na forma como está assistindo TV, mexendo no computador ou teclando no smartphone, na forma como se expressa, gesticula e etc. O dia-a-dia está cheio de tensão, de constipação, de maus hábitos. Vivemos enferrujados!

Atenção Plena não é autopoliciamento; não se trata de certo ou errado, mas sim daquilo que nos torna pessoas melhores pelo simples fato de sabermos como estamos e nos posicionamos no mundo; traz a mente para o momento presente onde tudo de fato pode ser feito com mais cuidado e respeito por si e pelo próximo. É uma técnica que imprime a coesão, a não violência, a integridade e o amor. Sua prática contínua desinfla o ego, o remaneja do centro e suspende os dramas da vida.    

Te amo! Lave as mãos com sabão e #ficaemcasa.

Que todos tenham paz e que todos possam ser felizes.