YOGA DO SONO. YOGA NIDRÁ. SONO REM.

Saiba mais sobre o sono.  

A palavra “sono” aparece nos estudos do yoga tanto quanto desejo, ego, medo, cobiça. É tratado como “defeito moral” (dosha) e nada tem a ver com o estágio do cansaço psico-físico-emocional que nos retirará da vigília e nos levará para o descanso necessário e útil e que também se chama “sono”. “Tive um sono tão gostoso!”. “Dormi tão bem!”. Ter a lembrança já demonstra que nem se perdeu a consciência em sua totalidade, embora se estivesse em sono.  O Yoga fala de sono e o chama de “nidrá” como um aspecto sonado em que nós, mesmo quando em vigília, nos encontramos. Mesmo se estamos falando, pensando, guiando o carro, comendo, não significa efetivamente que estamos conscientes destes atos. Podemos tão somente estar agindo instintivamente, tal qual faz um quadrúpede que, embora possua consciência – vivo sabe que está – não sabe que respira, por exemplo.

Para tratar do assunto existe uma técnica dentro do sistema óctuplo do Yoga Clássico (Ashtanga Yoga) que se chama “pratyahara” e significa “abstração dos sentidos externos”, onde é treinado controlar o impulso dos sentidos (instinto) à luz da consciência: “Quando a abelha rainha levanta voo (consciência),  todas as abelhas (sentidos) enxameiam atrás dela e, quando ela pousa, elas também pousam”.  No Yoga pós-clássico (tantra) existe uma técnica desenvolvida pelo indiano Paramhamsa Satyananda que oferece mais instrumentos para a prática do pratyahara do yoga clássico. Ela se chama YOGA-NIDRA ou “yoga do sono”. Não se trata de mais um estilo de yoga. A proposta aqui é conscientemente nos unir (yoga) pelo sono (nidrá).

COMO ISTO ACORRE?

É sabido que muitas das imagens subconscientes que aparecem quando praticamos um simples exercício de concentração (dharana), são expressões simbólicas das camadas da personalidade. Isto significa que são tendências inerentes e remanescentes de alguma propensão instintiva que nos influencia, e que são criadas pelo córtex cerebral. Córtex nada mais é aquilo que nos torna seres pensantes com seus 86 bilhões de neurônios ouriçados, transitando informações entre o hemisfério esquerdo (razão) e o hemisfério direito (emoção). O córtex faz isto a fim de liberar a mente inquieta pela busca. Manter-se ávido pela busca de conhecimento é comum à qualidade neocórtex em nós humanos, mas é preciso dominar também este impulso em nome de sedimentação de aprendizados, aprofundamento e expansão de consciência, caso contrário, o estado de meditação não poderá ser alcançado. Embora seja útil ser inteligente, é também um traço da mente que também vicia e controla (sattva: identificação com o intelecto). O YOGA-NIDRÁ elimina estes padrões que foram promovidos pelo córtex e que geram não só a agitação da mente, mas também nos remete a atitudes julgadoras, padrões de respostas e autodefesas. As autodefesas acabam se transformando em auto sabotagens prejudicando nossa lapidação, nosso aprimoramento e a tão louvável sabedoria.   Através do YOGA-NIDRÁ são obtidos:
– relaxamento físico SEM dormir, já que a mente pode reconhecer a postura deitada como “opa, pronto para dormir”.
– relaxamento emocional através das sensações contrárias que desenvolvem, inclusive, um aspecto psíquico chamado “força de
vontade”.
– relaxamento mental através da mentalização de um propósito ou visualização de símbolos e imagens.
– baixa necessidade de oxigênio, batimentos cardíacos desacelerados, pressão sanguínea cai, órgãos dos sentidos descansam mesmo em estado de vigília, operando em outra frequência.
– aumento da resistência da pele, diminuindo e retardando os sinais de envelhecimento.
– aumento dos níveis de oxigênio nos músculos, após os trabalhos
anteriormente realizados com as posturas do yoga (ásanas). Isto faz diminuir o lactato (hiperacidez junto aos músculos que causa dor e desconforto após os exercícios).
– e o maior dos prêmios: ondas cerebrais alfa crescem à luz da consciência, equivalendo as mesmas ondas cerebrais do SONO REM que é o último estágio do sono profundo.

A atividade das ondas cerebrais alfa é comum entre os indivíduos altamente criativos e com mente clara. Bastando mesmo se fechar os olhos por um minuto para que a atividade das ondas cerebrais alfa aumente gradativamente. Ao abrir dos olhos, as ondas cerebrais se tornam mais ativas e este simples “estresse” já desenvolve o acesso às ondas cerebrais beta, o padrão dominante para o estado de vigília. Interessante saber que uma criança possui quantidade muito maior de atividade das ondas cerebrais alfa comparada com um adulto, demonstrando o quanto estão abertas para o treinamento junto a vida (educação). É que as ondas cerebrais alfa têm sido consideradas como as mais saudáveis das ondas cerebrais, assim como também as “mais seguras” ondas cerebrais para
aprendizados, onde se pode desenvolver discernimento, clareza e sabedoria. Na faixa alfa de 10-10.5 Hz (pulsos por segundo), o cérebro se torna apto a realizar o que chamamos de autohipnose. Então, nesta condição mental, a técnica yoga-nidrá pode se utilizar de mantras, pode oferecer novos estímulos e outras determinações de conduta ética (yamas e niyamas – ética yoga), gerando resultados muitíssimo mais rápidos do que quando estamos em outras faixas de ondas cerebrais.

FAIXAS DAS ONDAS CEREBRAIS
– Teta (de 7 a 4 ciclos por segundo) está presente nos estágios 1 e 2 do sono (leve).
– Delta é o mais lento (de 4 a 0 ciclos por segundo) está presente nos estágios 3  e 4 do sono (profundo).
– Alfa, opera de 8 a 13 ciclos por segundo (o ideal é 10 a 10,5) , repetindo-se no último estágio do sono profundo. Ocorre durante o sono REM que apresenta as mesmas características de quando estamos acordados, porém, em outra composição do estado de consciência.
– Beta, representando os ciclos mais rápidos de 13 a 40 por segundo (vigília), sendo observadas em situações de muito estresse, ou mesmo nas situações que pedem extra esforço na concentração mental.

Certamente que todos estes efeitos ocorrem durante o ato de dormir, mas somente após algumas horas e dependendo do nível de estresse que oferece sonos profundos cada vez mais curtos e, assim, cada vez menos revigorantes. O YOGA-NIDRA limpa o ambiente mental para a prática da meditação que não vai exigir qualquer ação, qualquer técnica. A mente estará suficientemente sossegada para a auto-observação sem reação de qualquer forma.

O YOGA-NIDRÁ pode ser visto como uma boa soneca, podendo ser praticado fora da prática do yoga, seja naquele intervalo do almoço, pós trabalho para uma pausa antes do retorno para a casa, ou naquela prática matinal fundamental, depois de uma noite mal dormida. É uma maneira eficiente de reiniciar o cérebro em cerca de  10 a 15 minutos de prática, deixando a mente mais desperta.

6 comentários em “YOGA DO SONO. YOGA NIDRÁ. SONO REM.”

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