YOGA E OS TARJAS PRETAS

por Stupa Lima

Certa vez, quando ministrava práticas em um espaço de yoga no Sul do Brasil, a proprietária e professora convocou para uma reunião. Ligou seu novo notebook super juntamente com um projetor que exibiam tabelas de valores, custos, lucros, estimativas, ações de marketing e estatísticas, tal qual qualquer empresa a varejo faz. Finalmente, exclamou, como faria um gerente de vendas: “Vocês professores precisam trazer mais alunos, pois o metro quadrado da sala é muito caro e tem bastante espaço vago. Lembrem-se: melhor yoga do que tarja preta”.Foi por um instante estonteante, algo como terrivelmente genial. O apelo
de marketing sugerido que foi substituir possíveis rótulos pretos da alopatia pelo Yoga parecia lindo!

Minha mãe, naquela ocasião, passava por um fulminante no sistema linfático, onde eu mergulhava em pesquisas, a fim de obter mais informações sobre o assunto, elaborando-os juntamente com o conhecimento do yoga no tocante a sua atuação terapêutica (yoga terapia).Não discrimino a alopatia em sua medicina convencional. Diante de tanta sujeira no ar, na água e na comida, e de tantos outros elementos perturbadores ligados ao mundo material, não há yoga que por si só possa resolver problemas de saúde já deflagrados. Yoga e tarja preta podem andar juntinhos, mas sabendo que o objetivo do Yoga é eliminar qualquer artificialidade do organismo como um todo ou colaborar para que a alopatia não cause danos significativos. Sua técnica foi projetada para gerar fluidez, o que significa adaptabilidade, flexibilidade, reflexão. Algumas questões de desequilíbrio pode mais facilmente serem resolvidas com o yoga, dispensando, quase que de imediato, pois abre espaço para que se resolva a raiz da doença. O ponto fundamental do Yoga no sentido terapêutico e efetivamente prático está na qualidade do sono, momento em que o organismo descansa e revigora para mais uma jornada solar:
– Regulariza diversas funções, principalmente de manutenção;
– Memoriza melhor importantes informações adquiridas ao longo do dia;
– Realiza melhor o metabolismo dos alimentos, bem como mantém o apetite em equilíbrio;
– Produz hormônios importantes e em maior quantidade durante o sono. Melatonina, que também é o maior antioxidante natural que possuímos, é o principal deles, sendo secretado a partir da serotonina, hormônio mais diurno. A Melatonina faz uma verdadeira faxina de radicais livres no cérebro. Estes elementos nocivos são átomos ou grupos de átomos que apresentam elétrons desemparelhados com poder oxidante. Os radicais livres são produzidos pelas células durante o processo de combustão por oxigênio, utilizado para converter os nutrientes dos alimentos absorvidos em energia. Os radicais livres podem danificar células sadias, ainda que nosso organismo possua elementos (enzimas) protetores que as reparam. No entanto, fatores externos do mundo moderno aumentam significativamente a produção de radicais livres – poluição, pesticidas, comida industrializada, estresse, frituras, gordura animal etc – tornando a operação natural de reparação algo ineficaz.
O pico de melatonina liberada ocorre por volta das 2h da manhã, sugerindo que ir dormir deve ocorrer por volta das 22h. Na infância cerca de 90% dos hormônios para crescimento são liberados durante o sono.
– Reduz a fadiga, o stress, a ansiedade e outros problemas de natureza psicológica;
– Melhora a imunidade, pois durante o descanso interleucinas (proteínas que ativam linfócitos, células de defesa) são liberadas;
– Evita o envelhecimento precoce e formação de tumores, uma vez que outras substâncias antioxidantes atuam mais facilmente sobre os radicais livres;
– O sentidos são desligados na ordem: visão, paladar, olfato, audição e tato. Ao acordar, eles são despertados em ordem inversa.

A partir de um sono bem aproveitado, o estado de vigília poderá manter uma forte atuação na manutenção do que foi adquirido durante a noite, levando nossos sentidos a terem demanda por uma alimentação mais saudável e leve, fazendo-nos lembrar de tomar água fresca e pura, e mantendo um controle mais efetivo sobre os impulsos reativos, além de gerar novas ações.

Não se faz Yoga para se tornar um religioso ou para nos afastar de um mundo conturbado e violento. Faz-se yoga como uma prática holística, diferente da ordinária academia de ginástica. Faz-se yoga para aprender a melhor lidar com o cotidiano, os problemas, as barreiras. Uma paz pessoal resplandece. Se mudamos, o mundo muda. Nenhum problema do mundo material irá desaparecer, muito menos as doenças que estão aí simplesmente quando respiramos. Mas certamente com a prática do Yoga encontramos mais vigor físico, psicológico e emocional para lidar com os desafios e os sistemas, sem nos confundir com eles. Inclusive poderemos lidar com o comércio que nos envolve de maneira mais comedida e com contentamento. A prática do yoga, entre tantos outros pontos que atua de forma positivíssima, faz alterações em nosso movimento enquanto Ser. Este movimento pode até mesmo emergir medos, porque desconstrói padrões, comparando-os com o “religare”. Uma postura do yoga pode ser desafiadora, uma determinada respiração gerar imensa dificuldade. A aparente limitação inflige em medo, medo do novo. Mas ao enfrentar, descobre-se quanta força e determinação existiam. Na verdade o medo pode ser um bom estímulo de continuidade na busca por si mesmo que eleva a autoestima e, fundamentalmente, a autocompaixão, mostrando que sempre se pode ir além.

Yoga é uma prática holística. Envolve corpo, mente, emoções e espírito (essência). Salienta a vida e faz destruir as preocupações. É uma ferramenta infalível e um veículo fortemente armado que diminui a fera capitalista farmacêutica, de entretenimento (as meras distrações) e a indústria da vaidade. Não há necessidade de ir morar no Tibet, mas sim aproveitar a expansão da consciência que o yoga promove para ter na cidade onde moramos, um estilo de vida com mais alegria e saúde.

Neste sentido, dê preferência à vida!

Pratique Yoga e afasta-se dos tarjas pretas viciantes.

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